sábado, 29 de dezembro de 2007

Um Mapa no Caminho - Rev Gelson Piber





Salmo 148

Louvem ao Senhor no céu,
Louvem ao Senhor nas alturas ;
Louvem a Deus, todos os anjos,
Louvem a Ele seus exércitos todos!
Louvem a Deus, sol e lua,
Louvem a Ele, astros de luz!
Louvem ao Senhor, céus dos céus,
e águas acima dos céus!
Louvem o nome do Senhor,
pois Ele mandou, e foram criados ;
Fixou-os eternamente, para sempre,
Deu-lhes uma lei que jamais passará.

Louvem ao Senhor na terra,
Monstros marinhos e abismos todos,
raio e granizo, neve e nevoeiro,
e o furação, cumpridor de Sua Palavra.
Montes e colinas todas,
árvores frutíferas e cedros todos;
feras e animais domésticos,
répteis e pássaros que voam.
Reis da terra e povos todos,
príncipes e juízes da terra;
jovens também as donzelas,
os idosos com as crianças!
Louvem o nome do Senhor:
O Único Nome sublime!
Sua Majestade está além da terra e do céu
e Ele reforça o vigor de seu povo!
Louvor de todos os seus fiéis,
Dos filhos de Israel,
Seu povo íntimo.
Aleluia!.

Mapa do caminho

Este salmo é uma metodologia de trabalho e um objetivo a alcançar, é caminho
e meta, é mapa na estrada da vida, na caminhada da fé. Todas e todos aqueles
que, em suas comunidades de fé, estamos comprometidos em promover a causa do
Reino de Deus, devemos nos comprometer com a promoção de direitos, e é
oportuno debatermos isto nestes tempos em que se pretende, equivocadamente,
colocar "concorrências" entre pentecostais e "ativistas", entre "renovados"
e "tradicionalistas", como se a Igreja de Cristo não fosse uma só, apesar
das denominações; naturalmente que isto é conseqüência de uma visão
preconceituosa do outro e de pouco embasamento histórico teológico; o
preconceito sempre se baseia na prepotência de se considerar o melhor que os
outros e na ignorância, quando não se conhece a realidade; mas os que
testemunham o Evangelho, podemos e devemos encontrar inspiração, força e
propostas de metas e estilos de trabalho que seguramente nos podem
surpreender, nas páginas das sagradas Escrituras. Deixemos que o Espírito
Criador e Consolador nos conduza, através das estrofes deste salmo e nos
fale ao coração e à mente.

Este hino, igual que nossas tarefas pastorais e nosso testemunho evangélico
como membros da Igreja da Comunidade Metropolitana, que têm a inclusão como
uma das suas marcas radicais, é uma convocação ampla, irrestrita e ilimitada
(versículos 1-4). Todos os elementos da humanidade, da criação e do cosmos
são convidados a participar desta tarefa de construir uma sociedade mais
justa e eqüitativa. O céu, as alturas, os anjos e os exércitos pacíficos de
anjos, são os destinatários desta convocação na primeira parte do salmo.
Todas as forças positivas que podem cooperar na construção de um espaço sem
estigma, nem exclusão, são chamados a ser parte deste projeto do Reino que
se inicia e já está aqui no meio de nós mas que é, ao mesmo tempo, a nossa
meta e nosso compromisso com Jesus Cristo, para que se torne realidade.

Sempre me provocou dificuldade falar de um Deus de exércitos. Sobretudo a
mim, Latino Americano, depois das amargas experiências que tivemos com
ditaduras militares no nosso Continente, sempre tive dificuldades com o
vocabulário de guerra, por exemplo, camisetas camufladas e escritas:
"exército de Cristo", pois Ele é o Príncipe da Paz e seu exército são os
anjos e os pacíficos e não os guerreiros, e "felizes são os que promovem a
paz, porque serão chamados Filhos de Deus", (cf Mt 5, 9). É por isso que
prefiro utilizar todo o vocabulário que vem do mundo do trabalho e afirmar
que pessoalmente trabalho, discuto, polemizo, mas não luto. Se há uma
batalha, ela é espiritual, e já está ganha, mas por Jesus Cristo, desde seu
Sacrifício Redentor na Cruz e o inimigo já foi vencido, por Jesus Cristo
mesmo, mais que exorcismos, precisamos sim é de conversão, conversão diária,
à verdade, ao bem, ao amor, á solidariedade, à paz e à justiça, dons
espirituais, do alto, do Espírito Santo, mas que se manifestam na realidade
do dia a dia. Jesus não disse que lutava contra o demônio, mas disse que
trabalha e Seu Pai também (cf Jo 5, 17) e nos mandou trabalhar, não pela
comida que perece, mas pelo alimento que o Filho do Homem nos daria e que
duraria para a Vida Eterna (cf Jo 6, 27). E Paulo mesmo, tantas vezes se
refere ao trabalho que devemos realizar, de dia e de noite, incansavelmente.
Naturalmente que nós somos conseqüência de muitas coisas, uma pessoa que só
viveu com uma maneira de manifestar a fé, que tem uma visão limitada da
realidade da Igreja de Cristo e sua maravilhosa e abençoada variedade de
expressões, pensará que sua maneira é a mais certa, a melhor e se tiver um
pouquinho de arrogância, competirá com os outros e se for vaidoso, verá as
outras pessoas como "concorrentes" e não como complementação no testemunho
do Evangelho de Jesus Cristo, para todas as pessoas, em todos os tempos, em
todos os lugares e em todas as culturas, até que o Senhor venha. Vem Senhor
Jesus!!! Amém!!

Compreendemos que ao falar este salmo de exércitos, está falando da multidão
de anjos que cooperam na construção deste espaço onde no centro de situa o
Emanuel, o Deus conosco e sua Boa Nova anunciada aos pobres (cf Lc 4, 18).
Esse exército do qual fala este hino são as multidões de pessoas
comprometidas, até as últimas conseqüências, no mundo inteiro que com seu
compromisso de fé, testemunham o Evangelho inclusivo de Jesus Cristo, para
aqueles a aquelas que já não tinham esperança, que haviam sido excluídos das
igrejas e da sociedade. Eles e elas que experimentaram a liberdade dos
filhos e das filhas de Deus, pretendem e se comprometem, para que outros e
outras sejam também livres no Espírito Santo e conheçam o Caminho, a Verdade
e a Vida e recebam a mensagem de amor e de aceitação que Deus tem para elas.

Todos os verbos estão no imperativo para mostrar que a ação que se espera,
se bem que já tenha começado, ainda não se completou. Essa convocação para
as forças positivas que trabalhando, poderá mudar o curso da história da
salvação de cada um, de cada uma, e de toda a criação.

Este salmo é um canto de esperança. No meio das crises, sabemos que a fé em
um mundo desejado pelo Criador, diferente deste, que nossos pecados
transformaram, é possível e que já começou. A ação pastoral como ativista
dos direitos LGBT, ativistas espirituais, como é uma das marcas da ICM, tem
que ser nesse espaço onde se reconhece esse processo e todos nos
transformamos em sinais dessa nova forma de nos situarmos dentro da Igreja
de Cristo e diante de Seu Evangelho, se não estaremos fadados apenas a
sermos um lugar onde é proibido beber, fumar e se é obrigado a pagar o
dízimo, mas a Glória de Deus, que acontece na Verdade, na Justiça e
sobretudo no amor incondicional e radicalmente inclusivo, como Jesus Cristo
nos ensinou e São Paulo testemunhou, não acontecerá, e a ICM será apenas
mais uma igreja fundamentalista, só que "de gays", que tem na sua liderança
gays e lésbicas assumidos, que faz casamento de gays...

Igualmente a este cântico, nós também estamos chamados a entoar um cântico
que convida a toda a criação, todos os homens e todas as mulheres de boa
vontade, a unir-se, com energia, na construção desta nova comunidade
inclusiva e que se compromete a abandonar afirmações e posições excludentes.

Este convite faz que todos os espaços excludentes se fragmentem e a presença
do Emanuel faça já impossível seu futuro. O melhor louvor ao Criador, é ser
conseqüente com este convite incondicional e ilimitado a que todos e todas
participemos desta ação de resgate dos excluídos e excluídas.

Mas da mesma forma que nos primeiros versos se convocam todas as forças
positivas, na segunda parte (versículos 7 a 18), são também chamados a
construção desse espaço novo, todas as forças que podem apresentar
obstáculos ou ser negativas ao projeto d'Aquele que nos convoca. Ainda as
realidades nefastas, como a homofobia, a Aids, o racismo, o poder econômico
e político, são convocadas a ser geradoras de uma nova vida. A crise de
valores que líderes religiosos cristãos provocam, não pode passar sem ter
produzido uma mudança revolucionária na forma em que as diversidades se
relacionam entre si. O convite a que todos e todas se unam na mesmo louvor,
têm como objetivo que em unidade cheguemos a formar uma assembléia onde o
Nome de Deus é santificado na dignidade de todas e de cada uma das criaturas
criadas a Sua imagem e semelhança. E esta é a razão pela qual trabalhamos
juntos, unidos na diversidade e de forma responsável na construção do Reino
e que é o melhor louvor ao criador que podemos realizar.

Toda nossa satisfação pelo trabalho realizado, por ter sido considerados
dignos de levar a cabo esta missão na ICM, procede do descobrir que é toda a
humanidade em sua incrível diversidade a que está convidada a unir-se a este
projeto e a este objetivo.

E a Igreja Cristã, independente do estilo litúrgico, da liturgia, que nada
mais é do que a maneira de adorar a Deus, por Jesus Cristo, no Espírito
Santo, seja pentecostal, evangélico, "tradicional", "renovado", etc, é
camada a testemunhar que Jesus Cristo é o Senhor e ressuscitado, virá para
julgar os vivos e os mortos e chamará para estar com Ele, na Glória, apenas
os que O viram com fome e Lhe deram de comer; O viram com sede, e Lhe deram
de beber; quando Ele era estrangeiro, O receberam em casa; Ele estava nu, O
vestiram; Ele estava doente, cuidaram dele; pois a cada vez que isto foi
feito ao menor dos irmãos dele, foi á Ele que foi feito (cf MT 25, 31-46),
para os outros, os que diziam Senhor, Senhor, mas não faziam a vontade de
Deus (cf Mt 7, 21); Ele dirá apenas "Afastai-vos de mim, malditos!" (cf Mt
25, 31-46). Jesus nos alertou, literalmente que, "Naquele dia muitos me
dirão: Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizamos? Não foi em teu
nome que expulsamos demônios? E não foi em teu nome que fizemos tantos
milagres? Então eu vou declarar a eles: jamais conheci vocês. Afastem-se de
mim, malfeitores!" (Mt 7, 32-33).

Rev Gelson Piber
Pastor Igreja da Comunidade Metropolitana de Niterói
icmniteroi@icmbrasil.org

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

TERCEIRO DOMINGO DO ADVENTO




"Bem aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço"
S. Mateus 11.6
Leituras Bíblicas do 3º Domingo do Advento:
Isaías 35.1-10; S. Tiago 5.7-10 e S. Mateus 11.2-11
COMENTÁRIO AO LECIONÁRIO ANGLICANO
REV CARLOS CALVANI - IEAB*
1a leitura - Isaías 35.1-10 - O texto deste domingo está dentro do mesmo contexto do Isaías histórico ou Primeiro Isaías (1-39) cujas características foram apresentadas no comentário do 1º Domingo do Advento. O texto segue a proclamar o advento (vinda) de um novo tempo de harmonia e abundância com fortes expressões ecológicas: Na verdade Isaías 35 é versão positiva do que foi apresentado negativamente no capítulo 34. No capítulo anterior há uma avaliação negativa da história falando da “ira de Javé contra as nações” (34.2). O capítulo 35 abre, no versículo 1º, com um movimento de transformação apresentado por um “antes” e um “depois”. O antes é representado pelo “deserto” e seus sinônimos “terra seca” e “lugar sem-vida” (de ’aravah, mesma palavra usada para “Mar Morto”, “yam ’aravah”) e depois é “alegrar-se” e “fazer brotar os lírios”. A oposição entre a árida realidade e a nova realidade alegre e florida, mostra não apenas a mudança concreta e visível (deserto x florescimento dos lírios), mas também, a mudança de espírito do deserto e da terra seca que se “alegram” ao serem transformados pela vida. O novo espírito de alegria é exagerado no versículo 2 com o uso duplicado do verbo “brotar/florescer”, o que poderia ser traduzido literalmente como “brotar, brote!” (pároha tiprah) e depois “e grite de alegria, também alegre-se” (vetageol ‘af gilát). Enfim, o versículo 2 mostra uma explosão de vida e de emoções, semelhante aos fogos de artifício das nossas festas de natal e ano novo! O motivo desse alvoroço todo é descrito na segunda metade deste versículo: o esplendor da Glória de Javé manifesta ecologicamente na natureza de Shalon (cujas belas flores são também celebradas no Cântico dos Cânticos 2:1) e a exuberância dos bosques e os córregos das montanhas do Líbano e do monte Carmelo que mergulha no Mediterrâneo!
O quadro da irrupção adventícia da Vida prevalece majestosamente sobre a morte e serve de imagem de ânimo (de “ânima”, ou “alma”, isto é, Vida). A natureza é pintada para dar vida ao povo débil, vacilante, dos versículos 3 e 4. Da mesma forma como a natureza seca foi convidada a explodir em Vida, este povo empobrecido e de mãos enfraquecidas é convidado a buscar em Deus fortalecimento, ânimo, firmeza (hatzáqu). É hora de resistir contra a morte, de firmar os joelhos vacilantes! (v.3). No versículo 4 a profecia convida a “agitar os corações”, a superar o medo, preparando o advento da justiça divina! Enfim, poderíamos chamar este convite de uma escatologia participativa. Deus, que pode certamente agir sozinho, se nega a fazê-lo. Ele que incluir seu povo nesta transformação radical de um antes de morte para um depois de Vida. A partir do versículo 5 a profecia abre uma nova fase que começa com: “então...” (v.5a e 6a). A palavra hebraica é “‘az”, que é um advérbio de tempo que, juntamente com o tempo imperfeito, isto é, o tempo usado para indicar o futuro, como no caso de “se abrirão” (5a) ou “e saltarão”; indica geralmente o “início de uma ação”. Sendo assim, a profecia indica que a escatologia (isto é, o resultado final que Deus dará a história do seu povo) já começou! Esse “então” não indica apenas um tempo distante, absolutamente indefinido, mas um tempo presente vivenciável imediatamente para as pessoas que aceitam o convite divino! As pessoas convidadas são cegas que poderão ver, gente com os ouvidos entupidos que recuperarão a audição, pessoas que andavam com dificuldade mas que poderão pular como cervos e um povo emudecido que irromperá em gritos de alegria. O Advento é já, mesmo que seja, ao mesmo tempo, ainda não. Quem não vive o agora deste advento como poderá estar apto para viver o depois?
O texto retorna à natureza nos versículos 6b-7. Assim esta profecia, que alguns estudiosos chamam de “pequena apocalíptica”, é envolvida pela ecologia divina. Nos primeiros versículos a gente era convidada a acreditar na transformação da terra árida e sem vida em terra boa e abundante, agora, após o convite do advento da Vida, a alegria da vida é compartilhada com toda a criação, que, como diria depois o apóstolo Paulo, “geme com dores de parto” (Romanos 8.22). Na sua conclusão (v.8-10), o texto mostra um caminho, a senda de alegres peregrinos/as não mais preocupados com a violência, um caminho santo. Aqui o texto é carregado de desejo. Para mostrar este sentimento o traduzimos literalmente:E haverá ali uma estrada,E andarás tu e andarás tu.Santa será chamada ela.Não passará o impuro,E por ela tu irás caminhando,E os tolos nela não vaguearão (Is 35:8).São palavras carinhosas que transmitem segurança! Na época era perigoso andar pelas estradas a mercê tanto das feras, quanto de salteadores, e até da cobiça dos reis (Gênesis 12.10s). Seria como se Deus nos dissesse hoje: “vão, vão, não temam, percorram o caminho que leva à vida, à justiça, à harmonia e alegria de toda a criação”! Um belo desafio. Quem sabe Deus não deseja que apenas esperemos a vinda de Nosso Senhor, mas que, confiando nela, possamos sair ao seu encontro por essa estrada santa! (Rev. Humberto Maiztegui Gonçalves)
2a leitura - Tiago 5.7-10
A epístola de Tiago já foi alvo de muita polêmica na Igreja. Lutero a chamou “epístola de palha” e lhe deu pouco valor por entender que a mesma não enfatiza a justificação pela fé e dá muito valor às obras. Diante disso, por muito tempo essa epístola ficou um tanto esquecida nas igrejas protestantes. Atualmente, porém, nos círculos evangélicos essa epístola tem sido reconsiderada a partir da compreensão de que ela não é um contraponto às epístolas paulinas, mas um complemento, escrito a partir de outra perspectiva, para outras comunidades que não faziam as mesmas perguntas levantadas pelas comunidades às quais Paulo se dirigia. Na epístola de Tiago, o estilo é diferente, parecido com uma catequese primitiva (semelhante ao Didaquê em alguns pontos). A linguagem é clara e direta, sem muitos rodeios ou abstrações teológicas. Para o autor, a religião pura é bastante simples: “visitar os órfãos e as viúvas e manter-se afastado do mundo” (1.27). O recorte que o Lecionário nos traz hoje está na seqüência imediata de um ataque condenatório aos ricos, à corrupção (5.1-2) e à exploração dos trabalhadores (5.4a) e seria oportuno ler o texto desde o versículo 1.
Aqui aparece três vezes a palavra “paciência”: v.7a: “Tende, pois, paciência”, 7b: “...aguardando com paciência” e “tomai como modelo de sofrimento e paciência os profetas...” (v.10). O sentido da expressão aqui não é simplesmente de passividade, mas de alerta, indicado pela metáfora do plantio: o lavrador espera com paciência e alegria o fruto que sabe que chegará por causa dos cuidados que já dedicou à horta. Porém, ele nada pode fazer para antecipar a colheita, pois isso demanda tempo e o tempo exige paciência. Desta forma, o apóstolo exorta à comunidade que sua situação vai mudar e, diante dessa perspectiva, não há porque se desesperar. É preciso continuar semeando e cuidando do plantio.Paciência aqui, pode ser entendida também como “perseverança”, palavra que será usada no versículo 11. O modelo da paciência diante dos sofrimentos é buscado nos profetas que, mesmo perseguidos, anunciaram o tempo novo, o advento do Reino. (Rev. Carlos Eduardo Calvani).
Santo Evangelho - Mateus 11.2-11
“Voltem e contem a João o que vocês estão ouvindo e vendo”. Esta é a resposta que Jesus dá aos discípulos de João Batista que, estando preso, não pode ir ao encontro de Cristo para questionar se de fato é ele aquele que deveria vir ou deveriam esperar outra pessoa. “Os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e os pobres recebem o Evangelho”. Jesus responde a João Batista a partir das experiências de mudanças na vida das pessoas. Não faz apenas um discurso afirmando ser o messias. Os cegos, os coxos, os leprosos, os surdos eram pessoas banidas da religião judaica, pois eram considerados impuros em função da sua condição de enfermidade. Ao acolher estas pessoas com a cura de suas enfermidades, Jesus está dando a elas a oportunidade de uma libertação que vai além da saúde física. Jesus as resgata para a sua cidadania.Jesus ao despedir os discípulos de João Batista, começa um segundo discurso para o povo que o escutava. Neste discurso Jesus faz uma construção teológica a respeito de João Batista. Jesus evidencia claramente que o lugar vivencial de João Batista é o deserto. O deserto não é um lugar de palácios, de reis, ou pessoas bem vestidas. O deserto é um lugar para onde os pobres, os criminosos e os impuros são empurrados. O deserto é a terra de todos os que não são enquadrados nos preceitos legalistas e religiosos do judaísmo. É de lá que vem a nova religião. João Batista é considerado por Jesus como o mensageiro dessa nova maneira de viver a comunhão com Deus. Jesus não se cansa de reconhecer que João Batista é um grande personagem no plano da salvação.
Não se pode esquecer que Jesus não só foi batizado por João Batista, como também foi batizado na nova religião que João trazia do deserto: Arrependimento e perdão dos pecados! Uma grande afronta à religião judaica que exigia para o perdão dos pecados que fossem pagos os pesados dízimos e sacrifícios de toda a ordem. João Batista está preso porque suas proposições religiosas incomodaram muito as autoridades judaicas. A religião para João Batista é uma experiência gratuita, não sacrificial. Jesus neste discurso para o povo está fazendo uma afirmação de fé no novo credo religioso construído por João Batista. Ele não apenas está reconhecendo que João Batista é um grande profeta, como está exercitando aquilo que João ensinava. No capítulo 3 de Mateus, Jesus tem o primeiro encontro com João Batista. É batizado. Depois começa o seu ministério e somente neste capítulo 11 de Mateus é que Jesus tem essa aproximação novamente com João Batista. Esse é exatamente o momento auge do ministério de Jesus. Mesmo com a prisão de João Batista, Jesus não se intimida em reafirmar a sua confiança nos princípios de fé norteados pela vida de João Batista.Pode-se afirmar que, como mensageiro vindo antes de Jesus preparando o seu caminho, João Batista foi o fundador da nova religião “dos do caminho” nome que foi atribuído aos primeiros cristãos. Jesus não tinha só um grande respeito por João Batista, mas foi além, assumiu a sua prática pastoral e sacramental de perdoar os pecados de forma gratuita, bastando para isso que as pessoas se arrependessem daquilo que haviam feito. Essa foi uma grande afronta a religião oficial que a tudo cobrava com pesados sacrifícios. (Rev. Elias Vergara).
* O autor é Coordenador do Centro de Estudos Anglicanos. Clérigo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, servindo a esta Igreja na cidade de Vitória do Espírito Santo, ES.
SOLI DEO GLORIA!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

RECEPÇÃO DE NOVOS MEMBROS EM BETEL



No úlitmo domingo, 9 de dezembro, recebemos como membros comungantes na Comunidade Betel do Rio de Janeiro, 13 irmãos e irmãs.


São eles:


Carlos, Denise, André, Danielle, Darilton, Roberto, Éverton, Heitor, Fabiana, Nilson, Marcos, Leandro e Neimar.


Nossos irmãos e irmãs agora são cidadãos plenos da nossa Comunidade, ou seja, são elegíveis para os cargos do Conselho Administrativo, são votantes nas Assembléias Gerais, são membros em plena comunhão.


O Salmista diz que aqueles que saem semeando e chorando, retornam alegres, com cânticos, trazendo em seus braços seus feixes.


Esses são os feixes que o Senhor me concedeu! Deus sabe o quanto temos chorado, mas não desistimos da semeadura do Evangelho pleno da Graça de Deus, que jamais fez ou fará distinção de pessoas e que convida à todos e todas, em qualquer tempo e lugar, para serem súditos deste Reino, desta Basiléia cujo Rei é Jesus.


A Ele toda honra e toda glória!


Sejam bem vindos irmãos e irmãs! Frutifiquem onde o Senhor vos plantou! Produzam frutos abundantes para a glória de Deus!


"A sua posteridade será conhecida entre as nações, os seus descendentes, no meio dos povos; todos quantos os virem os reconhecerão como família bendita do SENHOR. "

Isaías 61.9


















quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

SEGUNDO DOMINGO DO ADVENTO


SEGUNDO DOMINGO DO ADVENTO

FRUTIFIQUE!

MATEUS 3.1-12

Queridos irmãos e irmãs em Cristo Jesus!

Tenho dito que João Batista é um personagem muito importante para a nossa reflexão durante este tempo do Advento. No Evangelho de hoje, é ele a principal figura e sua mensagem ainda é importante para os dias de hoje, como era importante para os dias que ele viveu e que aqui é retratado por S. Mateus. Quem era João Batista?

Quem nos dá uma pequena biografia de João Batista, no Novo Testamento, é S. Lucas. Logo na primeira parte do seu relato, Lucas nos deixa saber que existem paralelos entre a vida de João Batista e de Jesus. O nascimento dos dois foi anunciado pelo mesmo Anjo: Gabriel. No caso de João, foi o pai que teve a visão, durante o serviço sacerdotal no Templo de Jerusalém, símbolo máximo da Primeira Aliança. No caso de Jesus, o anúncio foi dado à Mãe, pelo mesmo Anjo Gabriel. Não no Templo, mas na humilde casa onde morava na cidade de Nazaré, na Província da Galiléia, a chamada “Galiléia dos Gentios”, que pela alcunha, já sabemos não se tratar de território ortodoxo no quesito religião: A Lei e os profetas vigoraram até João, o último profeta de Israel do Velho Pacto; mas a Graça e a Verdade veio por intermédio do Filho Unigênito do Pai, o Senhor Jesus. Tanto Zacarias como Maria, ouviram grandes promessas da parte de Deus que iriam se cumprir na vida desses dois meninos que chegaria: João seria o preparador, o antecessor, o profeta que anunciaria que Ele viria. Jesus seria o salvador, o que redime, o Messias. As promessas não vieram sem as dores, ambos os meninos incomodariam muito aquela sociedade, principalmente os dirigentes, a elite religiosa e corrupta. Ambas as concepções aconteceram através da interferência divina: Maria, Mãe de Jesus, era virgem. Concebeu do Espírito Santo. Isabel, “parenta” de Maria (prima?), era casada com o sacerdote Zacarias, mas era estéril e idosa (“avançada em dias), porém, pela Mão Poderosa do Senhor, concebeu.

João era um outside. Não era um homem do status quo da religião judaica e daquela sociedade. Como todo porfeta, possuía verdadeiro espírito de profeta: era um contestador. Vivia à margem da sociedade, sendo a consciência dela, a voz que não se cala diante das mazelas, mas que grita as injustiças e denuncia os desmandos. Não morava no Templo, mas no deserto, o local bíblico por excelência da Revelação Divina. O deserto que na Bíblia tem um papel muito importante como lugar de escuta da Voz do Senhor, de experiência com Ele, de peregrinação que aprimora o espírito e o caráter. Lugar da tentação do Senhor e de luta do Povo Eleito consigo mesmo. Ali morava João; ali exerceu ele seu ministério de precursor, de seta que aponta para o Totalmente Outro Encarnado: o Messias prometido desde os profetas mais antigos. João não vestia púrpura e linho fino, mas de pêlos de camelo e se cingia com um cinto de couro; não comia os manjares mais excelentes, nem possuía mesa farta e opulenta; alimentava-se de ganfanhotos e mel silvestre.

Algusn estudiosos tentam fazer um “link” entre João e os chamados essênios, que viviam num mosteiro em Qunram, às margens do Mar Morto. Esse grupo contestador, marginal do judaísmo principal, é conhecido pelo legado escriturístico conhecidos como os manuscritos do Mar Morto, descobertos na década de 40 por um menino-pastor. Esse grupo praticava uma religião diferente da praticada no Templo de Jerusalém. Usavam da água como meio de purificação, eram muitas as abluções prescritas em suas regras. Eram celibatários, alimentavam-se de uma dieta especial, não sacrificavam animais. Eram dissidentes. Creio que aqueles que fazem essa ligação entre João e os Essênios, fazem a partir do batismo. João usava as águas do Jordão para batizar aqueles e aquelas que ouviam sua mensagem de juízo e que respondiam com o “sim” passando pelas águas. Era o batismo de arrependimento, palavra muito mal traduzida para o português, porque o arrependimento que João anunciava, era na verdade, uma “meia-volta”, uma conversão, metanóia.

A mensagem anunciada por João, o Batista (de batismo), era uma mensagem de juízo e de esperança. Aliás, toda mensagem da parte de Deus tem essas duas faces: juízo e esperança. Juízo para todos, esperança para aqueles que depois de ouvirem passam pela metanóia, dão a meia –volta, se convertem. A mensagem não era rebuscada, mas simples: “Arrependei-vos (Façam a meia-volta), porque está próximo o reino dos céus”. Este convite inquietante trovejava nos ouvidos e corações dos que ouviam e caíam qual boa semente nos corações dos ouvintes, que respondiam positivamente, simbolicamente, pelas águas do Rio.

S. Mateus nos informa que pessoas de Jerusalém, da Judéia e de toda a circunvizinhança vinham ali ter com João. Ali confessavam seus pecados e passavam pelo batismo, dizendo sim ao convite da voz que clamava no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas! Esses homens e mulheres isso faziam: endireitavam as suas veredas, as veredas da vida que seus pés pisavam. Veredas tortas. Veredas de morte. Veredas que não levavam ao Senhor.

Ainda nos informa S. Mateus, que a elite religiosa (saduceus) e o grupo que se considerava mais correto, mais puro, os fariseus, também vinham para passar pelo batismo. Esses ouviam um adendo à já dura mensagem de juízo: “Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento (metanóia, meia-volta); e não comeceis a dizer entre vós mesmos: temos por pai Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras deus pode suscitar filhos a Abraão”. A mesagem é dura e clara como a água que mergulhavam: os sábios daquele tempo, os monopolizadores do Sagrado, os que viviam às custas do sacrifício do povo, os que colaboravam com o poder invasor, os que se julgavam melhores espiritualmente; todos esses, acostumados com as formalidades de um culto morto, de ritualismos sem sentido final, apenas cerimonial, deveriam, para atestarem sua “meia-volta”, produzirem frutos dignos de arrependimento. A “chamada” de João nesses grupos (vers. 7) me faz pensar que esses o buscavam por medo apenas, para fugir da “ira vindoura”. Por isso João os adverte: para fugir da ira vindoura, não basta ser etinicamente filhos de Abraão. O pedigree racial de nada valeria no Dia do Senhor. Era preciso mais que laços sanguíneos e sentimento de nação, de povo. De nada adiantaria naquele dia a ascendência, a linhagem espiritual. O que valeria, o que os colocaria sob a proteção do Senhor era a metanóia, a conversão, a mudança de vida, de mentalidade, de veredas.

A mensagem que jamais caiu na importância é válida ainda para os dias atuais: “Já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo” (vers. 10). É mensagem urgente. É mensagem de juízo. É mensagem de Deus! Os frutos produzidos até então pelo povo eleito eram frutos podres: ganância, status, injustiça, justiça própria, colaboração com pagãos, promiscuidade de caráter e de valores, prostituição do que é puro, enfim, toda sorte de mazelas que se concretizavam e contaminavam a vida pessoal e social daquele povo. Eram visíveis esses frutos podres tanto nas vidas de cada um como também nas estruturas sociais (muitas vezes denunciadas pelo próprio Senhor Jesus, em relação aos órfãos e viúvas). O prórpio João Batista não temeu em denunciar a podridão de caráter do Rei dos Judeus, Herodes, que o temia na verdade, pois o via como verdadeiro profeta. Sua esposa que odiava João por ter denunciado ao povo a corrupção de suas vidas. Resultado: foi assassinado. Como todo profeta, tal qual Oscar Romero e tantos outros que derramaram seus sangues pela Causa do Senhor, João, como precursor dos mártires que após dele viriam, pagou o preço de gritar em alto e bom som o que Deus o mandava dizer. Aquele e aquela que é chamado e chamada para ser profeta, não teme aqueles que podem matar o corpo, não se entregam às ameaças e nem desejam viver pacificamente tolerantes com os poderosos e os que causam injustiças, mas avançam, entregando o que Deus ordena que seja entregue.

A mesnagem é atual! A mensagem de João, o Batista, ainda ecoa pelos séculos à fora e é válida para nós aqui hoje! “Já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.”

Meu irmão, minha irmã, que frutos temos produzidos?! Que tipo de árvores temos sido em nossas existências? Temos produzidos frutos de metanóia, de conversão, ou temos produzidos podres frutos, de egoísmo, de egolatria, de injustiça, de vaidade, de pecado?

O que você tem feito, árvore, com os dons e talentos que o Senhor te concedeu? O que você tem feito com o tempo, esse precioso presente que Deus tem te outorgado?

Quais são os frutos que você tem produzido para Deus e para a edificação de todos em sua vida? O que você hoje pode apresentar ao Senhor como bom fruto, nascido da semente boa da Sua Palavra, que nos leva à meia-volta?

Vejam, não estamos falando aqui de piedades exteriores, de comportamentos religiosos como jejuns, orações programadas, leituras bíblicas programadas, práticas exteriores apenas de religiosidade! Não estamos falando aqui do quanto e da assiduidade de dízimos e ofertas! Todas essas coisas faziam os fariseus e os saduceus, chamados por João, e depois deste por Jesus, de raça de víboras! Estamos aqui tratando de níveis mais profundos da vida. Estamos aqui falando de vida mesmo, da totalidade dela. Não interessa apenas os frutos da religiosidade, visíveis muitas vezes, infelizmente, apenas nas quatro paredes da Comunidade de Fé, da Igreja; estamos aqui falando de frutos produzidos na existência, no dia-a-dia e em todos os lugares onde a planta do teu pé pisa!

Não podemos, como aqueles fariseus e saduceus, nos abrigar no manto da religiosidade para fugirmos do juízo de Deus: de nada nos adiantará, pois de pedras, Deus pode suscitar filhos! Religiosidade não atesta filiação divina! Religiosidade não é passaporte para fugir do que há de vir como juízo! Teus frutos de religiosidade são apenas exteriores, para nada te servirão “naquele Dia”, porque Ele não te perguntará quantas vezes jejuastes por semana, ou quanto de dízimo você contribuía, ou quanto de orações você por dia fazia; ao contrário, Ele te dirá: eu tive fome, eu tive sede, eu estive preso, eu andei nu, eu estava doente...cada vez que um de vocês fez algo a favor destes meus pequeninos, a Mim o fizestes, porque neles, estava Eu!

Que frutos você tem produzido?

Ouçam com atenção: Já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo!

Quais frutos você tem produzido?

Não perca tempo! O dia vai alto, logo a noite vem! Advento é tempo de meditarmos na Vinda do Senhor. Na que já aconteceu e na que acontecerá, eu já disse isso! Arrependei-vos, dêem a meia-volta, façam a metanóia, pois Ele perto está!

Não desperdice o tempo que Ele te dá, meu irmão! Não faça pouco caso dos dons e talentos que Ele te outorgou, minha irmã! O fogo citado na mensagem, não é apenas o fogo escatológico do inferno dantesco! O fogo que a mensagem nos adverte é o fogo existencial!

Pior que o inferno espiritual, o inferno pós-morte, é o inferno existencial, ou seja, o inferno na vida aqui e agora! As árvores que não produzem bons frutos, frutos de arrependimento, frutos de metanóia, passam pelo inferno em vida, pelo inferno do aqui e do agora, pelo inferno da existência! Esse é o pior inferno! Esse é o pior fogo!

As árvores humanas que não produzem bons frutos vivem em constante estado de inferno existencial porque nada produzem. Passam pela vida sem produzirem absolutamente nada, e qual vampiros, sugam os frutos de outros. Uma vida sem sentido, uma vida sem propósito, uma vida sem alvo, é uma árvore sem frutos ou uma árvores que só produz frutos podres, que para nada servem! Você quer passar pelo inferno existencial? Você quer experimentar o fogo de uma vida sem vida? Então produza frutos, produza frutos de arrependimento, frutos de meia-volta, frutos de metanóia!

Endireitai as suas veredas!

Frutifique!

Amém, amém e amém!

SOLI DEO GLORIA!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO



“Vinde, ó Casa de Jacó, e andemos na luz do Senhor”
Isaías 2.5
Mateus 24.37-44

Queridos irmãos e irmãs em Cristo Jesus,
Entramos hoje numa das estações mais lindas do tempo da Igreja, o Advento. Nesta estação, somos convidados para, a partir das Escrituras, refletirmos sobre a chegada do Messias Prometido, Emanuel, o “Deus Conosco”. Durante quatro os quatro domingos que antecedem a festa que celebra o maior evento da História – a encarnação do Verbo – meditaremos com o Profeta Isaías, com o evangelista S. Mateus, com o Apóstolo Paulo e com todos os gigantes que nos antecederam, a respeito da vinda do Senhor Jesus na Terra. As duas vindas: a que já aconteceu e que comemoramos anualmente no Natal e da vinda que esperamos, a segunda gloriosa vinda do nosso Senhor e Salvador.
Advento, portanto, é tempo de esperança e regozijo, tempo de continuarmos nossa caminhada rumo á pátria celestial, re-afirmando a certeza que carregamos no centro de nossas almas: Ele já veio, já nos libertou, já nos deu vida nova; e, Ele voltará!
O personagem que escolhemos para a partir dele refletirmos sobre tudo isso é o grande Profeta de Israel, Isaías, que viveu e exerceu seu ministério no VIII século antes de Cristo.
Isaías viveu num contexto de grande crise: política, econômica, espiritual. Em seu tempo, o povo de Deus estava dividido em dois blocos políticos: o Reino do Norte (Israel), cuja capital era Samaria; e o Reino do Sul, também chamado de Judá, cuja capital era a Cidade Santa de Jerusalém, local do trono, do monte Sião, do Templo, o lugar mais sagrado para todos os judeus.
O povo eleito estava de mal a pior nesta época. Encantados e seduzidos pelos ídolos dos outros povos, eles prestavam cultos a estes nos montes e nos outeiros da mesma terra a eles dada por Deus. Ao mesmo tempo, cultuavam o Único e Verdadeiro Senhor, fazendo esse jogo duplo que popularmente identificamos como “acender uma vela para Deus e outra para o Diabo”. Sincretismo religioso. Um conceito antropológico, que vai além do teológico, para explicar este tipo de comportamento religioso que tenta servir a dois sistemas.
Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, é Deus Zeloso. Um de seus mandamentos é: amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, com todo o teu entendimento e de toda a tua alma. Não terá outros deuses diante de mim.
O povo eleito sempre quebrava este mandamento, estavam sempre prontos a adorarem deuses outros, ídolos, de outros povos. Todo o Antigo Testamento registra essas quedas do povo de Deus. Isaías vive neste contexto: no capítulo primeiro de seu livro, ele denuncia, com palavras de Deus, o culto hipócrita do seu povo.
Isaías tem uma mensagem de juízo da parte de Deus: o castigo virá sobre o povo. Deixaram o Senhor, abandonaram o Senhor e um alto preço será cobrado! Mas Deus não é Deus de morte, mas de vida, e, junto com a mensagem de condenação, traz também uma mensagem de vida, um convite à Graça e à restauração.
“Vinde, pois, e arrazoemos, diz o SENHOR; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã. Se quiserdes e me ouvirdes, comereis o melhor desta terra. Mas, se recusardes, e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; porque a boca do SENHOR o disse” (Is 1.18-20): mensagem, convite ao arrependimento, convite ao perdão e à misericórdia, mas, ao mesmo tempo, advertência, juízo, sentença de condenação para os rebeldes.
A espada mencionada na profecia de Isaías acabou que atingiu em cheio o povo de Deus: veio da Assíria, potência político-econômico-militar da época, cuja capital era Babilônia. Num primeiro momento, o Reino do Sul, Judá, fez aliança com este poderio e o ajudou a conquistar ao norte a Síria e o Reino do Norte. Mas o feitiço virou contra o feiticeiro, Jerusalém, mais tarde foi invadida, e sua elite levada ao cativeiro na Babilônia. Tudo isso anunciado antes por Isaías, da parte de Deus. O coração humano, muitas vezes, ainda que ouça a voz inimitável do Senhor, endurece, e faz o que o egoísmo e a ambição ordena. Abandona o Manancial de Águas Vivas para seguir seus próprios caminhos, que aos seus olhos parece direito, mas cujo fim é a morte: tanto a física quanto a espiritual.
No capítulo segundo, que acabamos de ler, o Profeta anuncia algo que aos olhos humanos parecia muito distante ou até mesmo impossível: a restauração de tudo o que estava derribado, a implantação do Reino cujo Rei não é outro senão Deus mesmo. É a Era Messiânica, o Reino de Deus. Não será para aqueles dias, mas para os “últimos dias”, os dias finais. Nestes dias: 1) o monte da casa do Senhor (Sião), situado em Jerusalém, será estabelecido no cume dos montes e se elevará sobre os outeiros (montes e outeiros, lugares de culto aos ídolos pagãos), e para ele afluirão os povos. Ou seja, será o lugar de culto mais importante ao Único e Verdadeiro Deus, e todos, todos os seres humanos, ali virão, adorar em espírito e em verdade o Senhor Deus de Israel. Isso te lembra alguma coisa? A mim me lembra a passagem do Senhor Jesus com a Samaritana no Poço de Jacó! Ela perguntara ao Senhor qual era o local verdadeiro de culto, se era o Monte do Norte (Gerezim) ou o Monte do Sul (Sião, Jerusalém). E a resposta do Emanuel, do Messias, foi: “nem neste, nem naquele. Chegará a hora e em verdade já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão em espírito e em verdade”. Ou seja, o monte que será elevado não é geograficamente localizado no espaço físico; é a mensagem que Isaías entregava da parte de Deus oito séculos antes. Uma prova cabal, de que “O Reino de Deus está dentro de vós”.
Continua a mensagem de Isaías: 2) todas as nações, todos os povos da terra, afluirão ao “monte” para aprenderem de Deus e para andarem no Caminho (Jesus). Porque é de lá que sairá a Lei e a Palavra do Senhor (Logos). Jesus morreu, ressuscitou e subiu aos céus na Cidade Santa de Jerusalém.
3) Ele, o Senhor, julgará entre os povos e corrigirá as nações. Essas, converterão suas espadas em relhas de arado e suas lanças, em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra, pois o tempo da Graça, o tempo de Deus Conosco, é tempo de paz, tempo de vida, tempo de regozijo e alegria! Neste tempo, as nações são convidadas a trasformarem, ou melhor, trocarem suas armas de morte em instrumentos de vida, pois não pode haver morte onde reina o Senhor!
É justo questinarmos: Jesus já veio, portanto, a Era Messiânica já aconteceu, mas essas coisas todas não se cumpriram, ao contrário, o mundo está cada dia mais violento e as guerras entre as nações se multiplicam. Quando essas coisas acontecerão então?
Meus queridos irmãos e irmãs, essas coisas deviam ser verdadeiras e concretas, mas como disse acima, o coração do homem é mau, é caído, é egoísta e pecador. Se os homens e as mulheres de todos os tempo após Jesus, escutassem e atentassem para a mensagem que Ele nos trouxe, essa seria a nossa realidade. Mas, como nos tempos de Isaías, vivemos nós o nosso hoje: abandonaram o Manancial e Águas Vivas e servem, os homens, aos ídolos da presenta era: principalmente ao ídolo capital, ao ídolo ganância, ao ídolo dinehiro, ao ídolo egoísmo, ao ídolo do poder.
Os homens, se atentassem para a Mensagem do Menino Deus Encarnado, viveriam em tempos de paz, de justiça, de alegria e de vida. Mas preferem realizar seus sonhos egoístas e mesquinhos, tomando pela força física e pela força do deus dinheiro, outras vidas para subjugar. É por causa do homem, e não de Deus, que o mundo está como está. É por causa do homem as guerras, a má distribuição de renda, as doenças que assolam a humanidade, as injustiças cometidas contra o oprimido, a falta de pão...é por causa do homem que as mazelas se instalam e a guerra se faz!
É por causa do homem e seus velhos vícios que a mensagem de Isaías e a mensagem do Salvador jamais se desatualiza e todo tempo é tempo de conversão e de denúncia! Sim, conversão e denúncia, pois são duas faces da mesma moeda! A Mensagem de Restauração e o Convite à Graça também é juízo sobre aqueles e aquelas que preferem continuar abandonando o Senhor e não ouvindo seus apelos! É a mensagem da Igreja. É a mensagem todos nós um dia ouvimos e fomos por ela alcançados.
Não cessou o apelo do Senhor às nações: troquem suas armas de morte por instrumentos de vida!
Não cessou o apelo do Senhor a cada um de nós: troquem suas armas de morte por instrumentos de vida!
Quais são as armas que você tem, em suas batalhas na vida, usado? Você tem batalhado nesta vida utilizando do poder das armas que matam ou você tem, ao invés disso, usado instrumentos de vida que traz vida ao seu redor e àqueles que contigo convivem?
A mensagem e para hoje e o apelo é o mesmo! Você é convidado, é convidada, a transformar suas armas de morte em instrumentos de vida! E você pode estar se perguntando: que armas de morte uso?! Não uso nenhuma! Não?! Perguntou eu! Você quando usa sua língua para matar o outro, você está usando uma arma de morte. Você quando usa do seu egoísmo para atropelar os outros e aposta neste vale tudo para chegar aos seus objetivos egoístas e mesquinhos, você está usando armas que matam, pois o egoísmo e a egolatria são potentes armas de morte! Você quando decreta a morte de alguém em vida, negando-lhe perdão, está contribuindo para aumentar as estatísticas de morte! Você quando usa de meios escusos nos seus negócios, não observando o direito, você está espalhando o odor fétido da morte! Quando você se omite na prática do bem, você contribui para a matança dos nossos dias. Quando você ao invés de instalar a paz promove a guerra com os homens e mulheres, seus irmãos e irmãs, você está matando, não restaurando, não trazendo vida!
São muitas as nossas armas de morte e são muitas as maneiras pelas quais matamos! Como você, que já vive na Era do Messias, que já foi alcançado pela Graça, tem usado seu potencial? Para vida ou para morte?
Todo tempo, é tempo de conversão! Toda hora é agora para Deus! Na estação do tempo da Igreja que chamamos de Advento, você é convidado, é convidada, a abandonar os caminhos maus. É convidado a se desviar dos atalhos de morte parta dar meia-volta (metanóia). É chamado, é chamada a voltar para o Caminho, a Verdade e a Vida que é Jesus, Emanuel, Deus Conosco!
“Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz do Senhor”, é o apelo hoje do Espírito Santo ao teu impertinente coração! É o convite do Espírito à tua alma cansada de promover guerra e morte!
“Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz do Senhor”: você vem?


SOLI DEO GLORIA!