
“E logo o Espírito o impeliu para o deserto, onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás; estava com as feras, mas os anjos o serviam.” Mc 1.12-13
QUARESMA: O GRANDE RETIRO ANUAL DOS CRISTÃOS E CRISTÃS
Alguém poderia me perguntar: “Pastor, Quaresma não é tradição católica romana? Então por que observamos a Quaresma aqui em Betel, se esta é uma comunidade protestante?”
Eu responderia que Quaresma não é tradição exclusivamente da Igreja Católica Romana, ao contrário, é uma tradição da Igreja de Cristo espalhada sobre a terra, principalmente a ala reformada deste Corpo, pois nossos Pais Reformadores não jogaram na lata do lixo tudo o que aprenderam com a Igreja Romana, antes, deram um novo sentido para elas, buscando uma vivência cristã mais consciente e renovada, mais compromissada. Quando João Calvino, no Livro IV das Institutas da Religião Cristã, no capítulo 12, faz crítica feroz às práticas quaresmais da Igreja Romana, não faz no sentido de abolir o preceito de observar a Quaresma, mas no sentido de não se engessar a prática do jejum, por exemplo, fazendo disso uma obra da carne, visando o acúmulo de pontos espirituais no céu, obra de santidade que torna-se vazia. Ao contrário, João Calvino chama às consciências cristãs para viverem verdadeiramente em todos os momentos de suas vidas aqui na terra e que não façamos leis carnais como via de acesso aos bens espirituais em Cristo Jesus. A Igreja Reformada que não se perverteu com a influência puritana (puritanos são aqueles que lutaram por uma Igreja “pura”, completamente descarnada de antigas práticas, eram destruidores da tradição) continua, ainda hoje, acolhendo em suas práticas e observâncias a herança deixada pelos nossos Pais Reformadores, dentre elas, a observação dos tempos litúrgicos da Igreja.
Como surgiu a Quaresma? A Quaresma surgiu da necessidade de preparação intensa dos que iam receber o Batismo no Domingo de Páscoa, os catecúmenos. Separavam um período de tempo, para que fosse um “tempo forte”, um retiro, para a preparação desses que entrariam pelo Batismo no seio da Igreja. Antes do século IV, este tempo era de poucos dias, uma semana, segundo alguns escritores antigos da Igreja, conhecidos como Pais da Igreja. É um deles, Eusébio de Cesaréia, Bispo de Hierápolis e Historiador da Igreja, que em sua obra magna, a História Eclesiástica, nos informa que no século IV, a Quaresma alcançou o período de quarenta dias antes da celebração da Páscoa, como tempo forte, um retiro, para firmar os catecúmenos em sua preparação para o Batismo.
Hoje, a Igreja, principalmente a Igreja Reformada, não separa apenas um dia do ano para a prática batismal, antes, em qualquer tempo, é tempo de batizar aqueles e aquelas que desejam entrar na Igreja e fazer profissão de fé. Contudo, ainda observamos a Quaresma, com o sentido de ser ela um grande retiro espiritual, um “tempo forte”, portanto intenso, para nos preparar-nos para a celebração da maior memória cristã, a Páscoa do Senhor Jesus. Assim como Moisés permaneceu no Monte quarenta dias e quarenta noites; assim como Elias peregrinou quarenta dias e quarenta noites até o Monte Horebe para encontrar-se com o Senhor; assim como Jesus passou quarenta dias e quarenta noites no deserto, preparando-se para seu público ministério, sendo tentado pelo Inimigo; assim como os apóstolos e apóstolas, discípulos e discípulas do Senhor esperaram quarenta dias para a ascensão de Jesus aos céus, glorificado como Filho do Homem; nós, os cristãos de hoje, somos convidados a vivermos intensamente estes quarenta dias e noites que antecedem a Páscoa de Jesus, preparando-nos para celebrarmos este grande dia com a consciência viva do que isto verdadeiramente significa para cada um de nós.
Sendo assim, irmãos e irmãs da Comunidade Betel do Rio de Janeiro, aproveitemos este tempo forte, este grande retiro anual da Igreja de Jesus, meditando intensamente, todos os dias, nos nossos passos, no nosso caminhar sobre terra, para revermos o que precisa ser revisto em nossas vidas, em nosso caminhar aqui, endireitando, assim, as nossas veredas, pois como peregrinos e peregrinas rumo ao Pai, devemos trilhar corretamente, sem atalhos, O Caminho, a Verdade e a Vida que é Nosso Senhor Jesus. Durante a Quaresma, aqui em Betel, uma série de mensagens sobre “As Sete Cartas do Apocalipse” será ministrada no culto público, a fim de refletirmos no nosso caminhar como Igreja e individualmente, preparando-nos, intensamente, para o Domingo de Páscoa. É tempo de reflexão, de revisão, de firme propósito de mudanças, de metanóia, de conversão! Que o Senhor nos abençoe e nos guarde nestes quarenta dias, dando-nos consciência viva do significado de uma vida cristã verdadeira! Assim seja!
Rev. Márcio Retamero – Pastor da Igreja.
Eu responderia que Quaresma não é tradição exclusivamente da Igreja Católica Romana, ao contrário, é uma tradição da Igreja de Cristo espalhada sobre a terra, principalmente a ala reformada deste Corpo, pois nossos Pais Reformadores não jogaram na lata do lixo tudo o que aprenderam com a Igreja Romana, antes, deram um novo sentido para elas, buscando uma vivência cristã mais consciente e renovada, mais compromissada. Quando João Calvino, no Livro IV das Institutas da Religião Cristã, no capítulo 12, faz crítica feroz às práticas quaresmais da Igreja Romana, não faz no sentido de abolir o preceito de observar a Quaresma, mas no sentido de não se engessar a prática do jejum, por exemplo, fazendo disso uma obra da carne, visando o acúmulo de pontos espirituais no céu, obra de santidade que torna-se vazia. Ao contrário, João Calvino chama às consciências cristãs para viverem verdadeiramente em todos os momentos de suas vidas aqui na terra e que não façamos leis carnais como via de acesso aos bens espirituais em Cristo Jesus. A Igreja Reformada que não se perverteu com a influência puritana (puritanos são aqueles que lutaram por uma Igreja “pura”, completamente descarnada de antigas práticas, eram destruidores da tradição) continua, ainda hoje, acolhendo em suas práticas e observâncias a herança deixada pelos nossos Pais Reformadores, dentre elas, a observação dos tempos litúrgicos da Igreja.
Como surgiu a Quaresma? A Quaresma surgiu da necessidade de preparação intensa dos que iam receber o Batismo no Domingo de Páscoa, os catecúmenos. Separavam um período de tempo, para que fosse um “tempo forte”, um retiro, para a preparação desses que entrariam pelo Batismo no seio da Igreja. Antes do século IV, este tempo era de poucos dias, uma semana, segundo alguns escritores antigos da Igreja, conhecidos como Pais da Igreja. É um deles, Eusébio de Cesaréia, Bispo de Hierápolis e Historiador da Igreja, que em sua obra magna, a História Eclesiástica, nos informa que no século IV, a Quaresma alcançou o período de quarenta dias antes da celebração da Páscoa, como tempo forte, um retiro, para firmar os catecúmenos em sua preparação para o Batismo.
Hoje, a Igreja, principalmente a Igreja Reformada, não separa apenas um dia do ano para a prática batismal, antes, em qualquer tempo, é tempo de batizar aqueles e aquelas que desejam entrar na Igreja e fazer profissão de fé. Contudo, ainda observamos a Quaresma, com o sentido de ser ela um grande retiro espiritual, um “tempo forte”, portanto intenso, para nos preparar-nos para a celebração da maior memória cristã, a Páscoa do Senhor Jesus. Assim como Moisés permaneceu no Monte quarenta dias e quarenta noites; assim como Elias peregrinou quarenta dias e quarenta noites até o Monte Horebe para encontrar-se com o Senhor; assim como Jesus passou quarenta dias e quarenta noites no deserto, preparando-se para seu público ministério, sendo tentado pelo Inimigo; assim como os apóstolos e apóstolas, discípulos e discípulas do Senhor esperaram quarenta dias para a ascensão de Jesus aos céus, glorificado como Filho do Homem; nós, os cristãos de hoje, somos convidados a vivermos intensamente estes quarenta dias e noites que antecedem a Páscoa de Jesus, preparando-nos para celebrarmos este grande dia com a consciência viva do que isto verdadeiramente significa para cada um de nós.
Sendo assim, irmãos e irmãs da Comunidade Betel do Rio de Janeiro, aproveitemos este tempo forte, este grande retiro anual da Igreja de Jesus, meditando intensamente, todos os dias, nos nossos passos, no nosso caminhar sobre terra, para revermos o que precisa ser revisto em nossas vidas, em nosso caminhar aqui, endireitando, assim, as nossas veredas, pois como peregrinos e peregrinas rumo ao Pai, devemos trilhar corretamente, sem atalhos, O Caminho, a Verdade e a Vida que é Nosso Senhor Jesus. Durante a Quaresma, aqui em Betel, uma série de mensagens sobre “As Sete Cartas do Apocalipse” será ministrada no culto público, a fim de refletirmos no nosso caminhar como Igreja e individualmente, preparando-nos, intensamente, para o Domingo de Páscoa. É tempo de reflexão, de revisão, de firme propósito de mudanças, de metanóia, de conversão! Que o Senhor nos abençoe e nos guarde nestes quarenta dias, dando-nos consciência viva do significado de uma vida cristã verdadeira! Assim seja!
Rev. Márcio Retamero – Pastor da Igreja.
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